Avenida Eduardo Ribeiro - Manaus

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A Avenida Eduardo Ribeiro, no centro de Manaus, além de centenária, concentra grande parte da circulação de pessoas da cidade, por ser uma das ruas que mais agrega lojas comerciais no centro da capital. Inaugurada no final do século 19, a avenida Eduardo Ribeiro concentra atualmente prédios comerciais, como lojas das principais redes varejistas como Marisa, C&A, Riachuelo, Carrefour, além de dezenas de lojas regionais.


 A primeira menção sobre a construção da via data de 1893 no governo de Eduardo Ribeiro, que governou Manaus de 1892 a 1896. Eduardo Ribeiro, transformou Manaus na Paris dos Trópicos, com obras como Teatro Amazonas e Palácio da Justiça.


A Eduardo Ribeiro já foi palco dos maiores eventos da cidade, como desfiles da Semana da Pátria, Carnaval e até festivais folclõricos, além de abrigar até a década de 70, dois famosos cinemas da cidade, o cine Avenida, onde está hoje uma loja Bemol e o Cinema Odeon, ocupada atualmente pelo Manaus Shopping Center.

Com o vertiginoso crescimento da cidade, iniciada no final dos anos 60, em função da implantação da Zona Franca, Manaus adquiriu novos contornos e os eventos migraram para outras áreas.


Apesar de ser uma das vias de entrada para o suntuoso Teatro Amazonas, a via está descaracterizada, precisando de reestruturação por parte do poder público e dos comerciantes da área. No local, pode-se visitar aos domingos, a feirinha de artesanato. A feirinha existe há mais de 10 anos e recebe uma média de 5 mil pessoas todos os domingos. No café da manhã, vale a pena apreciar o X Caboquinho, sanduíche à base de pão francês, com queijo coalho, tucumã (fruta regional) e banana frita.


 


Saiba mais sobre a história da Avenida Eduardo Ribeiiro


"  Ao discutir o urbanismo de Manaus, na última passagem do século, retoma-se mais uma vez a concepção de Haussmann, com seu modelo de cidade com largas avenidas, praças e a instalação de serviços de melhoramento urbanos que se difundiram nas cidades brasileiras comprometidas com a modernidade da última passagem do século. Ao iniciar o período republicano, a cidade de Manaus não tinha grandes avenidas; a maior parte de suas ruas ara acanhada e irregular. A rua Municipal, atual av. Sete de Setembro, era uma das artérias mais importantes da capital, talvez a mais extensa, mas tinha várias inconvenientes, era muito estreita, ondulada e cortada por vários igarapés. Faltava-lhe a monumentalidade requisitada pelo modelo das modernas avenidas.



Logo nos primeiros anos da administração do governador Eduardo Ribeiro, procurou-se dotar a cidade com nova feição e, nesse sentido, foram tomadas algumas providências no sentido de melhorar o trânsito e embelezar as vias públicas. Assim, em 1892, foi autorizado o aterro de alguns igarapés, incluindo o Espírito Santo, que ocupava um espaço destacado no plano de embelezamento da cidade, planejado por Ribeiro, pois dependia desta obra o prolongamento da rua Comendador Clementino, que na época da construção do palácio é citada com freqüência nos relatos como avenida do Palácio e atualmente se denomina av. Eduardo Ribeiro.


Uma das primeiras menções sobre o projeto da referida avenida foi feita pelo diretor de Obras Públicas, Armênio de Figueiredo, em junho de 1893, ao afirmar que a mesma teria trinta metros de largura e mil e sessenta de comprimento e se estendia entre a nova rampa e a fachada do novo Palácio, e transformaria as péssimas condições de trânsito que mantinha (FIGUEIREDO, 1893, p. 10). Em junho do mesmo ano, o governador dava maiores dados sobre a obra ao comunicar a desapropriação de vários terrenos daquela rua, justificando que com este ato estava transformando-a assim em uma Avenida de um belo aspecto (RIBEIRO, 1893, p. 12).


Em junho de 1894, o governador Eduardo Ribeiro previa que as obras da avenida do Palácio estariam concluídas até os dois últimos meses daquele ano (RIBEIRO, 1894, p. 30); no entanto, em 1º de março de 1896, o governador lamentava que o serviço de aterro do igarapé onde deveria prolongar-se a referida avenida não tinha progredido tanto quanto se esperava, contudo esperava que dentro de noventa dias a obra estaria concluída (RIBEIRO, 1893, p.24). Apesar de todos os esforços empregados, é provável que esta obra não estivesse totalmente concluída até 1899, conforme uma fotografia de Arturo Luciane publicada em um álbum editado naquele ano; pode ser que estivessem concluído o aterro do igarapé, mas a avenida mantinha-se em obras, seu calçamento em paralelepípedo iniciava a partir do encontro com a rua Municipal (atual av. Sete de Setembro) e aparentava regularidade até o topo da avenida, onde se erguia a construção do palácio.


O aspecto da avenida Eduardo Ribeiro era um tema freqüente nos relatórios e mensagens governamentais, também dos jornais e da população. Em 17 de fevereiro de 1900, o jornal A Federação apresenta um texto sem assinatura, que discorria sobre o embelezamento da cidade e sugeria que adotassem na avenida Eduardo Ribeiro uma adaptação do jardinamento da avenida Liberdade em Lisboa, prevendo que, com este melhoramento, Manaus ficaria com a rua mais pitoresca e aprazível de todas as cidades do Brasil, considerando que seria um melhoramento de primeira ordem e que não existia em nenhuma das capitais da União. Ao finalizar a nota, afirmava-se que o assunto merecia um estudo especial. Sem dúvida naquela época, a avenida já apresentava um aspecto mais cuidado, levando o governador Ramalho Júnior a afirmar, em julho daquele ano, que era nossa mais luxuosa Avenida (RAMALHO JÚNIOR, 1900, p.26).


No Álbum do Amazonas, editado em 1902, publicou-se fotografias de Fidanza mostrando a avenida Eduardo Ribeiro inteiramente concluída. O fotógrafo responsável pelo álbum afirmava que, apesar de ser recente a sua construção, já estava quase totalmente edificada e nela ficavam localizados os principais estabelecimentos da capital, com certeza os mais elegantes, taes como armazéns de moda e de exposição e vendas de objetos de arte, ateliers de modistas e de alfaiates, inúmeros hotéis e restaurantes dos quais muitos eram espaçosos e montados com luxo verdadeiramente europeu.


A importância assumida pela avenida Eduardo Ribeiro é confirmada em 1904 pelos médicos paulistas Godinho e Lindenberg (1906, p. 66), os quais diziam ser esta a avenida o coração da cidade. Nas suas vizinhanças ficam os mais ricos estabelecimentos comerciais, as casas de moda, os armarinhos e as redações dos jornais. Afirmavam ainda que na cidade existia, em profusão, botequins e mercearias muito freqüentados, notando, ainda, um habito muito europeu das mesinhas dispostas nos passeios dos boulevards ou avenidas, nos trottoirs, como se diria em Paris.


Apesar de crise anunciada desde o inicio do século XX, em 1909, a aparência da cidade com sua efervescência parecia a mesma e o jornalística carioca Anibal Amorim (1917, p. 153-154) notava, também, que era na aveia Eduardo Ribeiro que se encontravam instaladas as principais casas comerciais e redações dos jornais. Destacando que, à noite, o movimento na aveia era enorme, quando os passeios ficavam cobertos de mesas, onde serviam sorvetes e toda sorte de bebidas que envenenam os organismos ainda não aclimatados naquela terra. O carioca impressionava-se com a intensa corrente de automóveis, carruagens descobertas e de tramways elétricos pela grande artéria e afirmava ter-se a impressão de um notável centro de vida como todo o conforto e requinte de mundo contemporâneo.


Sem dúvida, a aveia Eduardo Ribeiro atendia ao modelo de espaço público requisitado pela burguesia, onde o consumo e o lazer assumiam importantes papéis, surpreendia ao viajante porque era como encontrar uma cópia fiel dos grandes centros civilizados em pleno coração da selva amazônica. Por muitas décadas, esta avenida manteve-se como a principal via da cidade, mesmo depois do advento da Zona Franca; com o crescimento acelerado da cidade e com a intensificação do trânsito, tornou-se proporcionalmente pequena. Permanece como uma avenida comercial de grande importância para a cidade, mas ultimamente foram-lhe impostas algumas modificações em função da facilitação do trânsito de veículos, não havendo, todavia, maior preocupação com o seu embelezamento; sua arborização encontra-se quase totalmente extinta e as fachadas de antigas construções camufladas por grandes placas de propaganda ou descaracterizadas por um verticalismo destituído de senso estético."


Fontes:
MESQUITA, Otoni. Manaus – História e Arquitetura (1852 – 1910). Editora Valer. 3º Edição.



 


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