História da Festa
Todos os anos tambores, cantores e brincantes reúnem-se no mês de outubro para comemorar o aniversário de Manaus. Mais de 500 mil pessoas vestem seus “tururis”, dançam e cantam o Boi-Bumbá durante três dias atrás de trios elétricos. Em 14 anos, o Boi Manaus provocou a comoção dos filhos da capital do Amazonas e evoluiu para conquistar identidade própria.
Nos primeiros anos, os trios desfilavam pelo Centro de Convenções Humberto Calderaro (Sambódromo) e o público escolhia o “tururi” – camisa personalizada do artista que mais se identificava – para assim, acompanhar os cantores dos Bois-Bumbás ‘Garantido e Caprichoso’ em cima dos trios elétricos.
Passados 13 anos, a festa que chegou de mansinho, hoje já é a maior do Estado. O atual diretor-presidente da Fundação Municipal de Eventos e Turismo (Manaustur), Arlindo Júnior, afirma que o Boi Manaus se consolidou e virou de fato referência na região. “Antes, tudo era de fora do Estado. Hoje temos o Boi Elétrico que é nosso, tururis fabricados aqui, e toda a estrutura como artesãos e a própria decoração também feitas por gente da terra”, explica.
Um dos organizadores do evento desde a primeira edição é Orlando Câmara. Durante todo esse tempo à frente da organização do Boi Manaus, ele afirma que o evento evoluiu. “A festa cresceu e segmentou. Quando iniciou, era uma micareta de boi e depois de 14 edições: o evento conquistou sua própria identidade”, opinou Câmara.
O diretor da Manaustur, Arlindo Júnior atribui a conquista de identidade à riqueza das temáticas do evento. Segundo ele, são lendas, histórias e todo o universo que envolve a Amazônia, contados por meio de decorações espalhadas pelo Sambódromo, cênicas e bailados preparados todos os anos, especialmente para a ocasião.
Sucesso
Os números de geração de emprego comprovam o sucesso do evento . De acordo com Arlindo Júnior, por ano, são gerados cerca de 1.200 oportunidades direta ou indiretamente. Os artistas, agentes de organização, vendedores ambulantes estão entre os beneficiados.
Para o antropólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Sérgio Ivan Braga, o Boi Manaus é uma festa massiva que oportuniza a projeção dos artistas locais. “O evento acabou virando uma grande chance para artistas novos mostrarem seu trabalho”, afirma o estudioso. Segundo o antropólogo, o Boi Manaus é uma forma de expressão diferente das outras celebrações de aniversários de outras cidades. Vejo que é uma estrutura diferente das apresentações de Boi-Bumbá. De fato, é uma festa muito bem sucedida”, complementou Ivan.
O cantor Ricardo Lira participa do evento há 13 anos. Ele cita com orgulho, a vinda de fãs de outros Estados do País para prestigiar o Boi Manaus. “Isso comprova que realmente esse evento projeta os artistas locais de tal forma que ficamos conhecidos até mesmo fora da região”, afirmou o cantor do lado vermelho.
A história de Lira no evento começou quando participou no primeiro ano como convidado do levantador de toadas do Garantido, na época, David Assayag. “No ano seguinte já ganhei meu trio e a coisa não parou mais”, contou aos risos. Ricardo Lira também é conhecido pela irreverência. “Sempre tentamos fazer o diferencial. Levamos para o show em cima do trio, bailarinos produzidos e temas. Tento criar um momento para o público se divertir”, revelou o cantor.
Falando em inovação, há cinco anos, o evento mostra surpresas sempre à meia noite do dia 24 de outubro, data em que é comemorado, de fato, o aniversário de Manaus. Em 2010, pela primeira vez, a recém criada Orquestra Big Band Manaus tocou, em meio ao Sambódromo, embalada pelas vozes marcantes dos levantadores de toadas.
Em 2011, as surpresas continuam. Quem revela é o diretor da Manaustur, Arlindo Júnior. “A Big Band Manaus este ano vai subir no trio com todos os artistas. Vamos dividir o Sambódromo em cores: de um lado vermelho (cor do Boi Garantido) e de outro azul (cor do Boi Caprichoso)”, contou empolgado, o também levantador de toadas.