Mauazinho, bairro de Manaus

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A comunidade de Mauazinho surgiu quando um grupo de pessoas ocupou, em janeiro de 1983, uma área de seringal nas proximidades do rio Mauá, com o objetivo de construir suas casas próprias. Já havia, no entanto, cerca de 30 famílias ribeirinhas, que habitavam
à margem do rio. Oriundos de bairros adjacentes e de municípios vizinhos de Manaus, os moradores se juntaram e fizeram a derrubada da floresta, para iniciar a habitação. Meses depois, a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) pressionou os novos moradores a saírem do local, alegando a posse da propriedade. Ameaçados, os habitantes se uniram e foram aos meios de comunicação reivindicar das autoridades o direito de permanecer no local.

Presença da Igreja Católica

A Suframa voltou a reivindicar a posse da área, desta vez em junho de 1984. Utilizando tratores e com auxílio da polícia iniciou uma tentativa truculenta de retirada dos moradores. Casas foram derrubadas e houve confrontos diretos entre moradores e policiais. Mas, os moradores não cederam. Ainda em junho desse mesmo ano, os moradores foram em caminhada tentar uma negociação com a Suframa, através do coronel conhecido como Rodolfo. As negociações foram lideradas pela moradora Antonia Zilma e foram apoiadas pela Igreja Católica, através da Arquidiocese de Manaus.

Desde 1983 surgiu a primeira unidade de ensino no local, uma escola de alfabetização para crianças chamada Sementinha, apoiada pela Igreja Católica. Em janeiro de 1986 a arquidiocese, em trabalho conjunto com os moradores, construiu a primeira capela do bairro, feita em madeira e chamada Capela Divino Espírito Santo. Dois anos depois, em 1988, os jovens participam da construção da Igreja de CEBs (Comunidade Eclesiais de Base). Lá funcionavam encontros, onde a comunidade participava das reivindicações pela melhoria da estrutura local. O primeiro padre que morou em Mauazinho foi o missionário do Pime (Pontifício Instituto das Missões Exteriores) padre Leão Martinelli, de 1987 a
1996.

Infra-estrutura

Os moradores ainda não tinham infra-estrutura de saneamento e outros serviços essenciais. Os primeiros ?bicos? de água foram criados pelos moradores, através da tubulação da Cosama (Companhia de Saneamento do Amazonas), cujos canos passam ainda hoje por baixo da avenida Rio Negro. A prefeitura decidiu acatar a reivindicação dos moradores do local e reconheceu a existência do bairro de Mauazinho através da Lei N.º 1.840, de 8 de julho de 1986, de autoria do vereador Antonio Carioca, publicada no Diário Oficial de 10 de agosto de 1986, durante a administração do prefeito Manoel Ribeiro. O Estado do Amazonas estava na época sob a gestão do governador Gilberto Mestrinho.

Moradores conquistam serviços básicos

Com a elevação à categoria de bairro, vieram as primeiras torneiras públicas. As fiações iniciais de energia elétrica também chegaram ao bairro no ano de 1987, depois de muita luta dos moradores. Naquele mesmo ano as atividades comerciais começaram a se intensificar no local, embora já existissem as tabernas e pequenos mercados, desde o ano de 1984. A chegada da energia, no entanto, intensificou o desenvolvimento, com a instalação de lojas de materiais de construção, mercados, farmácias e bazares dentro do
bairro de Mauazinho.

A primeira escola construída no local foi a Ana Maria Souza Barros, erguida pela prefeitura em 1989, durante a gestão do prefeito Arthur Virgílio Neto. As demais escolas municipais
são a Padre Luiz Ruas, Heleno Nogueira e Nova Vida. A única escola que oferece ensino de segundo grau no Mauazinho é a Berenice Martins, que não atende suficientemente todos os estudantes da área. Muitos se deslocam para escolas em bairros vizinhos e até ao Centro da cidade. A falta de escolas é uma das principais reivindicações da comunidade.

Conquistas

Aos poucos, as reivindicações dos moradores foram sendo atendidas pelo Poder Público. O primeiro posto de saúde, localizado na avenida Rio Negro foi construído ainda durante a gestão do prefeito Manoel Ribeiro, e inaugurado no dia 19 de setembro de 1986. O posto
sofreu uma primeira reforma três anos depois. A última ampliação ocorreu durante a atual gestão municipal neste ano de 2006. A Unidade de Saúde Básica do Mauazinho atende hoje 9.810 pacientes por mês, nas áreas de clínica geral, pediatria, ginecologia e obstetrícia, enfermagem, serviço social e odontologia. Também são oferecidos no local programas de planejamento familiar e de combate às doenças sexualmente transmissíveis e Aids, hipertensão e diabetes, hanseníase e tuberculose. A maior parte das doenças atendidas no local são gestroentrocolites agudas, causadas por amebas e outros vermes. Doenças contraídas, principalmente, através da água e decorrentes da precariedade da estrutura de saneamento.

Ainda sem posse definitiva

Atualmente moram em toda superfície de 723.73 hectares do bairro do Mauazinho cerca de 25 mil habitantes, segundo levantamentos realizados pela pedagoga Elani Góes. Um detalhe alarmante é que na segunda etapa do bairro, chamada Mauazinho II, moram cerca quatro mil pessoas, que não são assistidas no setor de educação, saúde, segurança e nem saneamento básico. A perspectiva é de que, em breve, os comunitários terão o título definitivo das terras e serão beneficiados por programas sociais dos governos
municipal e estadual.

Em 1994, parte da área de Mauazinho foi atingida pela erosão e algumas casas construídas no local foram danificadas. As ruas mais atingidas foram a Paraíso, Onze de Janeiro e Igarapé de Mauá. Em relação às lideranças, cada uma das três comunidades que formam o bairro (Mauazinho I, Mauazinho II e Jerusalém) têm representantes diferentes, o que dificulta a união em torno de objetivos comuns.

Bela vista e precariedades

Mauazinho conta com uma vista panorâmica do encontro das águas dos rios Amazonas e Negro, uma dos cartões postais de Manaus, observados com orgulho pelos habitantes. A localidade, entretanto ainda necessita de muito serviços essenciais. Embora o asfalto tenha
chegado ao bairro em meados da década de 1990, muitas ruas ainda recebem um tratamento de péssima qualidade, sem saneamento básico e sistema de esgoto.

O bairro não tem quadras esportivas nem áreas de lazer, a não ser os inúmeros bares espalhados. A maior central de abastecimento e referencia do bairro, a Ceasa, está obsoleta. Outro fator que precisa ser melhorado é o serviço de transporte das linhas 711 e 712, que atende a comunidade. Boa parte da frota, além de estar sucateada, não atende toda a demanda.

No bairro do Mauazinho existem duas Igrejas Católicas: a Nossa Senhora das Graças e a Nossa Senhora dos Navegantes, que está sendo reformada. O bairro tem ainda uma igreja protestante e um centro de umbanda, este na rua Paraíso. Entre os estabelecimentos comerciais de destaque em Mauazinho, está a peixaria Moranguetá, que oferece cardápio variado de peixes oriundos dos rios Negro e Amazonas, além de outras especiarias.

Fonte: Jornal do Commércio

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