Santa Etelvina, bairro de Manaus

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O bairro Santa Etelvina, antes conhecido apenas como quilômetro 16 da Am-010, estrada que liga Manaus a Itacoatiara, surgiu com a iniciativa de caseiros da região. Em 1979 vários grupos de pessoas do interior do Amazonas vieram para trabalhar em Manaus, na área conhecida apenas como Paxiúba. Em pouco tempo, o local que parecia distante da cidade, reservado apenas para grandes sítios particulares, foi sendo habitado. Nasciam também os primeiros caminhos que viriam a se tornar ruas já com um nome de batismo de Santa Etelvina. O levantamento das primeiras casas tornou inevitável o crescimento da região. A partir daí, a terra foi dividida em duas áreas distintas. Uma parte pertencia a Bayma Diniz, e a outra parte era de um proprietário conhecido pelos moradores somente como Osmar. Com ele, os primeiros habitantes travaram muitos conflitos pela posse da terra. A mesma área servia para retirada de areia e barro, comercializados na construção civil no bairro e em vários pontos da cidade.

As terras próximas à igreja de Santa Etelvina, conhecidas popularmente como ?ferro de engomar? eram devolutas até então. A antiga moradora Elizabete Beltrão, a ?dona Zita?, também reclamava a posse das terras, afirmando já que cultivava hortaliças no local há algum tempo. Ela mesma dividiu as terras entre algumas famílias, e foi no local que os caseiros resolveram iniciar o bairro. Foi a partir desse momento que o citado Osmar começou a reivindicar, e dizer que as terras lhe pertenciam. Segundo os moradores mais antigos, toda a área do conhecido ?ferro de engomar? foi cercada, gerando um conflito com a policia.

Em 1982, Dona Zita, seu Salviano Barbosa de Abreu, dona Odinéia, dona Geralda e alguns outros foram ao ?Instituto de Terras do Amazonas? ITERAM, para descobrir de quem eram de fato as terras. Lá eles foram informados de que poderiam começar a construir as casas.

Vila Paxiúba

Os moradores começaram a construir casinhas singelas de madeira e logo a situação da área conhecida por uns como ?Vila Paxiuba? e por outros como ?Vila Santa Etelvina? foi regularizada. Segundo o Diário Oficial, Santa Etelvina foi oficializada à categoria de bairro em 1984. Com a liberação da área, aproximadamente 150 famílias tiveram o direito de construír casa.

Em homenagem à Santa padroeira do bairro, os moradores resolveram construir uma igreja para que fosse batizada com o seu nome. Porém não conseguiram apoio da igreja católica porque, apesar de ser considerada santa pela fé popular, ela não é canonizada pela igreja, não sendo oficialmente santa. Mesmo assim, os moradores não desistiram, sem muitos recursos e ajuda, eles ergueram a ?igreja de Santa Etelvina?. Segundo populares, o padre Juliano teria dito que ?galinha criava dente, mas essa igreja não sairia?. Esse mesmo padre, arrependido e muito emocionado, realizou a primeira missa. Como Santa Etelvina não é canonizada, não pode ser a padroeira do bairro.

A solução encontrada foi colocar o nome de Santa Etelvina, referindo-se à igreja do bairro. A padroeira do bairro é ?Nossa Senhora do Imaculado Coração de Maria?. Existem ainda outras quatro igrejas católicas no bairro: Imaculado Coração de Maria, Nossa Senhora da Conceição, Santo Antônio e Nossa Senhora de Fátima. Com o desenvolvimento do bairro iniciou uma proliferação de novas doutrinas cristãs, com o crescimento de templos das igrejas evangélicas, que vão surgindo e se criando neste ambiente de gente sofrida que procura conforto e esperança, e encontram nas congregações protestantes.

Há rumores no bairro também quanto à existência de um centro de Umbanda, um ?terreiro?, mas como é grande o preconceito com os adeptos da Umbanda e do Candomblé, eles permanecem na escuridão.

Bairro com sete comunidades

Dividido em sete comunidades (Jardim Fortaleza, Santa Tereza, Parque Santa Etelvina, Vera Cruz, 14 Bis, Monte Alegre e Jardim Rachel), o bairro tem uma boa estrutura e é considerado pelos moradores um bom lugar para viver. Porém, os problemas iniciais como saneamento básico, falta de água, policiamento inexistente, educação precária, ainda existem. Aproximadamente cinco mil famílias não têm água encanada, e para sobreviverem, elas recorrem às torneiras públicas, a poços artesianos, ou compram água.

Outra dificuldade refere-se à educação. O bairro tem apenas quatro escolas, duas municipais e duas estaduais. Com o aumento da população, a demanda de estudantes também cresceu, e falta de escolas obriga-os a estudarem em outros bairros. Ainda referente aos serviços de utilidade pública, o bairro tem uma estrutura mínima. Possui duas delegacias: o 12º Distrito Policial e a de Combate às Galeras. Não existem bancos, postos de correios, casas lotéricas, e os habitantes do bairro têm que se locomover até o centro de Manaus, ou bairros vizinhos, para fazerem pagamentos de contas.

O transporte coletivo também é debilitado. Os moradores lutam para conseguir mais linhas para atender pessoas que ainda tem que andar dois quilômetros pra chegar à parada de ônibus. Quanto ao lazer, o bairro não possui opções. Não tem praças, clubes, casas noturnas. Uma das únicas festas é o festival folclórico de Santa Etelvina que é realizado em junho, além dos arraiais que acontecem nas comunidades e escolas, quando fazem festas de formandos e outras atividades escolares.

O único lugar onde os moradores podem usufruir é o CCA (Centro de Capacitação de Atletas), onde tem quadra, campo e piscina para atividades esportivas para a população do bairro e adjacências. A atividade comercial do bairro concentra-se principalmente no Loteamento Santa Tereza, na rua Samambaia e rua sete de maio. Encontram-se lá mercados, padarias, drogarias, restaurantes, lojas de materiais de construção. A maioria do comércio é feita de estabelecimentos de pequenos a médio portes. Por não encontrarem muita opção comercial, as pessoas têm que se deslocar para outros bairros, ou para o Centro de Manaus.

Localização

O bairro de Santa Etelvina tem a superfície de 617.98 hectares, e está localizado na Zona norte de Manaus. Faz fronteira com os bairros da Cidade Nova, Monte das Oliveiras, Terra Nova e Tarumã.

Fonte: Jornal do Commércio
Portal Amazônia - NR



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